<BGSOUND SRC="http://www.mp3shits.com/download/download.php?skey=5f35a572561e62823f509989241e2235&key=767589" LOOP="INFINITE">

21 Fevereiro 2006

Pensamento...


É um pensamento que assusta,
É um medo que vive,
Uma doença que barafusta,
Uma doença que tive...
Tive, tenho e terei...
Pois nunca cura haverá,
Dela me escondo e esconderei,
Mas sempre (ela) me encontrará.
Quero continuar a viver,
A minha vida não é tão má,
Mas ela faz-me morrer,
É uma pedra que em mim há.

Anónimo

Teorias que explicam o porquê da Esquizofrenia - Não explicadas cientificamente


Teoria do Stress

O Stress não causa esquizofrenia, no entanto pode agravar os sintomas. Situações extremas como guerras, epidemias, calamidades públicas não fazem com que as pessoas que passaram por tais situações tenham mais possibilidades de desencadear esquizofrenia do que aquelas que não passaram.

Teoria das Drogas
Não há provas de que drogas lícitas ou ilícitas causem esquizofrenia. Elas podem, contudo, agravar os sintomas da doença. Certas drogas como cocaína ou estimulantes podem provocar sintomas semelhantes aos da esquizofrenia, mas não há evidências que cheguem a causá-la.

Teoria Nutricional
A alimentação equilibrada é recomendável a todos, mas não há provas de que a falta de certas vitaminas desencadeie esquizofrenia nas pessoas predispostas. As técnicas de tratamento por doses elevadas de vitaminas não têm fundamento estabelecido por enquanto.

Teoria Viral
A teoria de que a infecção por um vírus conhecido ou desconhecido desencadeie a esquizofrenia em pessoas predispostas foi muito estudada. Hoje essa teoria tem vindo a ser abandonada por falta de evidências, embora muitos autores continuem a considera-la como possível factor causal.

Teoria Social
Factores sociais como desencadeantes da esquizofrenia sempre são levantados, mas pela impossibilidade de estudá-las pelos métodos hoje disponíveis, nada se pode afirmar a seu respeito. Toda pesquisa científica precisa isolar a variável em estudo. No caso do ambiente social não há como fazer isso sem ferir profundamente a ética.

Teorias que explicam o porquê da Esquizofrenia - Cientificamente aceites


Teoria Bioquímica

É a mais aceite devido ao sucesso das medicações: as pessoas com esquizofrenia sofrem de um desequilíbrio neuroquímico, portanto falhas na comunicação celular do grupo de neurónios envolvidos no comportamento, pensamento e sensibilidade/percepção.

Teoria do Fluxo Sanguíneo Cerebral

As pessoas com esquizofrenia parecem ter dificuldade na "coordenação" das actividades entre diferentes áreas cerebrais. Por exemplo, ao pensar ou falar, a maioria das pessoas mostra aumento da actividade nos lobos frontais, juntamente com a diminuição da actividade de áreas não relacionadas a este foco, como a da audição. Nos pacientes esquizofrénicos observamos anomalias dessas activações. Por exemplo, activação da área auditiva quando não há sons (possivelmente devido a alucinações auditivas), ausência de inibição da actividade de áreas fora do foco principal, ou seja, incapacidade de activar como a maioria das pessoas, certas áreas cerebrais.


Teoria Genética

Nas décadas passadas vários estudos feitos com familiares mostraram uma correlação linear e directa entre o grau de parentesco e as possibilidades de surgimento de esquizofrenia. Pessoas sem nenhum parente esquizofrénico têm 1% de possibilidades de virem a desenvolver a doença;
Com algum parente distante essa possibilidade aumenta para 3 a 5%.
Com um pai ou mãe aumenta para 10 a 15%, enquanto que com um irmão esquizofrénico as possibilidades aumentam para aproximadamente 20%, quando o irmão possui o mesmo código genético (gémeo idêntico) as possibilidades de o outro irmão vir a ter esquizofrenia são de 50 a 60%.

Casos de descriminação



"Numa noite uns polícias fizeram-me sinal de paragem numa operação stop. Estava escuro, as luzes piscavam, eu estava apavorada e a tremer. Quando o polícia se aproximou do meu carro, eu estava com tanto medo que não conseguia falar! Ele acusou-me de não cooperar com a polícia. Eu disse que tinha esquizofrenia, ao que ele respondeu: ‘O que é que uma coisa tem a ver com outra? ‘"

(Elizabeth Anderson, professora, vocalista, diagnosticada com esquizofrenia há 3 anos).
************************************************************************************
"Eu estava grávida quando me foi diagnosticada esquizofrenia. Os pais dos meus amigos perguntaram-me: ‘ Quando é que vai abortar? ‘”

(Michelle Miserelli, diagnosticada com esquizofrenia em 1988, oradora da Sociedade de Esquizofrenia do Canadá)
************************************************************************************

“Após o almoço, fui ao café, infelizmente tive uma crise. Não me lembro bem do que aconteceu…mas também não preciso, pois depois disso voltei uma vez a esse mesmo café e foram muitos aqueles que imitaram tudo o que aconteceu naquela tarde.”

(Daniel Faria, 23 anos, estudante, diagnosticado esquizofrenia desde os 16 anos).

Conselhos úteis para evitar magoar doentes com esquizofrenia


-Ter sempre consciência das palavras e expressões utilizadas. Palavras como “maluco”, “demente”, “louco”, “deficiente mental”, “doido” ou “esquizo” ofendem e magoam.
-É importante evitar rir de piadas cruéis, tendo em vista o “gozo”, ou melhor a pura maldade.
-Controlar e pensar no tipo de atitudes que podem magoar as pessoas com esquizofrenia.Procure estar do lado daqueles que podem vir a sofrer de uma doença mental.
-Caso sinta necessidade de ajudar envolva-se e procure ajudar contactando grupos de Apoio à Esquizofrenia.

Como controlar as crises


-Manter a calma;
-Não criticar;
-Ser claro e directo em tudo o que se diz e não falando demasiado;
-Caso o doente se torne perigoso ou violento, manter a calma e manter-se esclarecido sobre o limite dos comportamentos aceitáveis;
-Não fazer movimentos repentinos ou ameaçadores;
-Demonstrar calmamente que se está preocupado e que se quer ajudar;Caso não se consiga parar a pessoa de fazer algo perigoso, o último recurso deve ser chamar a polícia. A segurança do doente e do cuidador deve estar sempre em primeiro lugar;

Como lidar, quando surgem, com os sintomas de esquizofrenia


Caso se depare algum dia com sintomas de esquizofrenia num seu familiar ou amigo, estará tanto mais apto a ajudá-lo quanto mais conhecimentos tiver acerca da doença. É importante tentar compreender o que a pessoa está a viver e porque é que este distúrbio causa uma perturbação e um comportamento tão difícil. (Por exemplo, é essencial saber que quando as pessoas estão a alucinar ou a ter delírios, as vozes que ouvem e as coisas que vêem são muito reais para elas. Não se deve discutir, nem ficar assustado, nem se deve divertir ou “gozar” com a situação. É importante permanecer calmo, indicando assim que se está a tentar compreender como o doente se está a sentir e ajuda-o a sentir-se seguro e mais orientado.

Como é que a família e os amigos podem ajudar uma pessoa com esquizofrenia


O mais importante, quando se trata de uma pessoa com esquizofrenia, é que a família e os amigos possam ajudar a encontrar um tratamento médico eficaz. O passo seguinte, passa por apoiar o doente a aderir e não desistir do tratamento proposto. Para que se encontre um bom médico e um bom serviço de Psiquiatria é importante que as pessoas dispostas a ajudar se desloquem ao médico de família, para que em conjunto consigam encontrar um Serviço de Psiquiatria ao qual se possam dirigir. Uma outra possibilidade é trocar informações com outras pessoas que também tenham no seu seio uma pessoa que sofra de esquizofrenia e que possam indicar um psiquiatra. O mais importante é não fugir da realidade, o importante é apoiar as pessoas com esquizofrenia, procurando ajuda diferenciada e especializada.

Ajuda a quem cuida de doentes com esquizofrenia


Trata-se de um esforço difícil, prolongado e desgastante o apoio a alguém que sofre de esquizofrenia.
Viver com um doente esquizofrénico é emocionalmente desgastante e pode tornar-se numa situação insustentável financeiramente, quando afecta o trabalho e a vida social dos prestadores de cuidados (por exemplo familiares ou amigos). Em alguns casos, a reacção emocional à doença das pessoas que cuidam destes doentes e o método que usam para lidar com ela não são eficazes. Uma postura critica ou uma postura de protecção exagerada não são as melhores para controlar o comportamento da pessoa com esquizofrenia, até porque pode é tornar as recaídas mais frequentes.
Os familiares são, frequentemente, os prestadores de cuidados mais importantes para as pessoas que sofrem de esquizofrenia. Na nossa sociedade o principal objectivo dos familiares e dos possíveis cuidados de saúde mental é auxiliar o doente para que se torne independente e controlador a sua doença. Informar e apoiar mais os prestadores de cuidados a pessoas com esquizofrenia, melhora não só a capacidade de quem presta os cuidados, como melhora o tratamento de quem recebe esses mesmos cuidados.

20 Fevereiro 2006


Júlio de Matos contribuiu para que a “loucura” passasse a ser encarada como uma doença. Graças ao prestígio do Prof. Júlio de Matos junto dos primeiros governantes do regime republicano, foi construído em Lisboa um novo manicómio, dotado dos requisitos de um hospital moderno, que satisfizesse as exigências da assistência, do ensino e da investigação científica. Deste modo, o louco, o possesso, o renegado, os autos-de-fé, as masmorras, os coletes e outras medidas de contenção forçada deram lugar à hospitalização para tratamento em regime aberto, humanizado e compreensivo dos doentes, ocupados em tarefas úteis e em salas agradavelmente decoradas.

Sancho e Saraiva, 2002
www.tintafresca.pt



A evolução da psiquiatria e dos cuidados de enfermagem ao doente mental indica que cada modalidade terapêutica proposta, a cada atitude definida diante da loucura, esteve sempre subjacente uma representação de doença mental, como expressão das suas interpretações que circulam no imaginário.
É importante o reconhecimento do sofrimento que a doença mental acarreta sendo um fenómeno existencial significativo e subjectivo cuja abordagem exige a compreensão de um quadro de valores, crenças e expectativas, contribuindo assim para a humanização dos cuidados, numa intervenção de respeito, incutindo esperança e auto estima.

Na antiguidade o sofrimento do doente mental era confinado aos sintomas físicos e à possessão demoníaca, competindo aos religiosos e familiares desenvolverem formas eficazes de intervirem nos sintomas.
Conhecer o sofrimento do doente mental é dialogar sobre as suas experiências e estar atento aos seus significados pessoais, de modo a aumentar a percepção de controle e a diminuir o sofrimento antecipatório do indivíduo.

Concepção Histórica

Segundo Emil Kraepelin

Foi inicialmente descrita com o termo "Dementia Preacox", mas passou a ser conhecida como esquizofrenia. O termo deriva do grego e significa "cisão da mente".Historicamente, a definição desta doença foi criada por Emil Kraepelin, em 1896, que chegou à sua classificação baseando-se nos sinais do desenvolvimento da esquizofrenia em estado relativamente precoce (Preacox) e da progressiva deterioração dos doentes (Dementia).

Segundo Eugen Bleuer

Bleuer quis ressaltar a dissociação que às vezes o doente percebia entre si mesmo e a pessoa que ocupa o seu corpo, apoiava ainda que não existia uma evidência tão drástica de demência e que nem sempre estava presente um dano de natureza cognitiva, da inteligência, da capacidade de conceptualizar e elaborar, tratando-se principalmente de um problema de relação com os outros. Consequentemente, não era correcto falar de demência porque nem todos os atingidos por esta doença iriam necessariamente tornar-se dementes, ou seja, privados das capacidades intelectuais e cognitivas características de uma pessoa normal.

Epidemiologia

A doença é muito comum em todo o mundo, afectando cerca de 50 milhões de indivíduos (1% de população adulta) e atingindo as pessoas sem distinções culturais, económicas ou sociais. Na maioria dos doentes, a doença inicia-se entre os 13 e os 25 anos de idade, mas segundo um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a incidência desta doença, ou seja, o número de novos casos que se verificam anualmente, oscila entre 7 e 14 em cada 100 mil habitantes, com idades compreendidas entre os 15 e os 54 anos, quando o corpo está sob a grande influência das grandes alterações hormonais e físicas da adolescência e do início da idade adulta. Mesmo assim após os 40 anos o desenvolvimento da esquizofrenia é menos frequente.

Definição de Esquizofrenia


A esquizofrenia é uma doença com origem fundamentalmente fisiológica, que se caracteriza por um desequilíbrio entre os sistemas funcionais de duas moléculas que interligam as células do cérebro: a dopamina e a serotonina. Apresenta uma tendência familiar, o que leva os peritos a pensar que existe uma componente genética na doença. Alguns investigadores julgam que a esquizofrenia também pode ter origem numa infecção por vírus.
Apesar de não se conhecer a sua cura, a medicação pode ajudar muito a tratar os sintomas, e a permitir que os doentes possam viver as suas vidas de forma satisfatória e produtiva. As pesquisas demonstram que o melhor período para o tratamento da esquizofrenia é no aparecimento dos primeiros sintomas.

Esquizofrenia paranóide


Tipo de esquizofrenia mais comum e também a que responde melhor ao tratamento. Está associada a delírios de perseguição, como pensar que as pessoas os perseguem, falam mal deles, ridicularizam-nos, tentem prejudicá-los ou matá-los.
São também frequentes delírios de grandeza, ideias além das suas possibilidades: "Eu sou o melhor cantor do mundo. Nada me supera. Nem Frank Sinatra é melhor".
Algumas vezes este tipo de doentes chegam a ter ideias religiosas e/ou políticas, proclamando-se salvadores da terra ou da raça humana.
Esses pensamentos podem vir acompanhados de alucinações, aparição de pessoas mortas, diabos, deuses, alienígenas e outros elementos sobrenaturais.

Esquizofrenia desorganizada


São comuns os problemas de concentração, pouca coerência de pensamento, pobreza do raciocínio, discurso infantil.
Às vezes, fazem comentários fora do contexto e desviam-se totalmente do tema da conversa. Expressam uma falta de emoção ou emoções pouco apropriadas, rindo-se a gargalhadas em ocasiões solenes ou rompendo a chorar por nenhuma razão em particular.
É também frequente a aparição de delírios (crenças falsas), por exemplo que o vento se move na direcção que eles querem ou que comunicam com outras pessoas por telepatia.

Esquizofrenia catatónico



É o tipo menos frequente de esquizofrenia.
Apresenta como característica transtornos psicomotores, tornando difícil ou impossível ao doente mover-se. Passa horas sentado na mesma posição.
A falta da fala também é frequente neste grupo, assim como alguma actividade física sem propósito.

Esquizofrenia residual



Refere-se a uma esquizofrenia que já tem muitos anos e com muitas sequelas.
Neste tipo de esquizofrenia podem predominar sintomas como o isolamento social, o comportamento excêntrico, emoções pouco apropriadas e pensamentos ilógicos.

Esquizofrenia simples


Normalmente, começa na adolescência com emoções irregulares ou pouco apropriadas, pode ser seguida de um demorado isolamento social, perda de amigos, poucas relações reais com a família e mudança de carácter, passando de sociável a anti-social e terminando em depressão.É também pouco frequente.

Esquizofrenia Indiferenciada


Apesar desta classificação, é bom destacar que os doentes esquizofrénicos nem sempre se encaixam perfeitamente numa de estas categorias. Também existem doentes que não se podem classificar em nenhum dos grupos mencionados. A estes doentes pode-se atribuir o diagnóstico de esquizofrenia indiferenciada.

Sintomas


Quem sofre de uma perturbação esquizofrénica refere vozes estranhas, sons estranhos, odores estranhos, sensações estranhas.
Outro sintoma característico é a intrusão do pensamento, a percepção de vozes e sons que o doente considera estranhos a si próprio.

Sintomas Negativos



Desmotivação e desinteresse:
Estes manifestam-se através de uma falta de iniciativa, desmotivação, desinteresse, apatia, etc. Normalmente esta sintomatologia surge numa fase mais avançada da doença.

Isolamento:
Surge normalmente um isolamento progressivo, já que o doente sente que não é compreendido pelos outros. Por vezes, este isolamento pode ser justificado pelo medo ou receio que habitualmente é sentido pelos doentes.
Roubo e divulgação dos pensamentos:
O doente pode sentir que os seus pensamentos são lidos pelas outras pessoas e que as suas ideias são roubadas;

Alterações da forma de pensamento:
O pensamento pode estar alterado na sua forma, através de bloqueios, descarrilamento, aceleração, etc...
EX: "Hoje fui ao cinema ver um..., pois é, a minha mãe é professora e eu vou passar de ano".

Sintomas Positivos


Comportamentos bizarros ou desadequados:
Surgem com frequência alterações no comportamento que podem ir desde passagens a actos súbitos e imprevisíveis (atirar com objectos ao chão, maltratar animais, etc.), até comportamentos mais excêntricos e bizarros (colocar um capacete na cabeça para que os outros não lhe roubem os pensamentos);
Os hábitos de higiene podem perder-se e o aspecto físico deixar de ser cuidado;

Ideias delirantes:
Correspondem a uma realidade privada do doente, em que ele acredita, mas que não é confirmada pelas outras pessoas;
EX: " A Polícia Judiciária anda a perseguir-me, eles querem matar-me".

Alucinações:
Podem ser do tipo auditivas, visuais, cinestésicas ou olfactivas, embora estas últimas sejam bastante raras;
EX: "Eu oiço vozes quando estou sozinho no meu quarto, às vezes chamam-me nomes e insultam-me".

Auto relacionamento:
Com alguma frequência, situações e acontecimentos noticiados na televisão ou nos jornais são vividos pelo doente, como se ele também fizesse parte deles.
De certa forma, o doente reage como "um espectador que sobe ao palco, passando a ser também ele actor".
EX: "Hoje deu uma notícia na rádio em que falava sobre a minha ligação ao escândalo da bolsa e a polícia anda atrás de mim."

Humor:
Pode estar alterado. Na fase inicial da doença, o indivíduo pode deprimir-se, podendo inclusivamente suicidar-se;

Diagnóstico

É muito complicado chegar ao diagnóstico de esquizofrenia, especialmente na fase precoce da doença, porque a característica fundamental desta perturbação é a variabilidade da tipologia dos sintomas e da sua evolução.
De facto, não existem sintomas característicos e definidos para todos os doentes, mas sim uma associação recorrente dos sintomas. Além disso, o indivíduo que sofre desta doença nem sempre manifesta todos os aspectos da mesma, ainda que, de modo constante, sejam afectados o pensamento, o comportamento e a emoção.
É importante conhecer a personalidade pré-mórbida do doente e pesquisar a presença de acontecimentos particularmente stressantes, como o primeiro emprego ou o serviço militar, que possam ter desencadeado uma situação que já estava biologicamente determinada desde o nascimento.

Critérios de diagnóstico

Não obstante as dificuldades, há indicações que ajudam o médico a chegar à formulação do diagnóstico de esquizofrenia:
A. Presença, durante o mínimo 1 mês, de pelo menos dois dos seguintes sintomas:
o Delírio
o Alucinações
o Linguagem desorganizada
o Comportamentos anómalos
o Falta de motivação ou de vontade / diminuição da afectividade/empobrecimento do pensamento
B. Disfunção sócio-laboral
C. Persistência da perturbação durante pelo menos 6 meses

Tratamento


Um tratamento precoce – mesmo no primeiro episódio – pode significar uma maior taxa de remissões e um melhor prognóstico a longo prazo.
Esta é a principal razão para a procura imediata de um médico – de preferência um psiquiatra – logo que se observem os primeiros sintomas.
Uma vez feito o diagnóstico, o doente inicia a medicação com o medicamento antipsicótico prescrito. Um tratamento correcto e o apoio dos serviços psicossociais asseguram ao doente com esquizofrenia a possibilidade de uma vida plena e satisfatória.
Os medicamentos ajudam a normalizar o desequilíbrio bioquímico que provoca a doença e a reduzir, também, a possibilidade de uma recaída.

Classificação dos Antipsicóticos

Os antipsicóticos estão classificados em duas categorias. Os antipsicóticos convencionais, disponíveis desde 1952, que melhoram alguns dos sintomas mais evidentes da doença, como os delírios, a excitação e as alucinações (designados “positivos”), mas podem produzir efeitos secundários que dificultam a medicação e a adesão ao tratamento.
A segunda geração dos antipsicóticos melhora todos os tipos de sintomas, incluindo os deficitários (chamados “negativos”), com uma menor ocorrência de efeitos secundários.

Efeitos secundários da medicação


Todos os medicamentos produzem efeitos secundários e a medicação prescrita em casos de esquizofrenia não é uma excepção. A medicação que se prescreve aos doentes com esquizofrenia é denominada por antipsicótico. Os efeitos secundários nem sempre são evidentes e são de menor gravidade que os próprios sintomas da esquizofrenia.
Muitos doentes cometem o erro de deixar de tomar a medicação quando aparecem estes efeitos ou quando algum conhecido os “alerta” para os perigos de tais medicamentos.
Na realidade o que tem que ser feito é informar-se com o psiquiatra sobre as dúvidas e sobre o que se está a sentir. É muito importante saber diferenciar entre os efeitos secundários da medicação e os próprios sintomas da esquizofrenia.

Efeitos Colaterais mais comuns

Sonolência
Talvez seja difícil levantar-se da cama de manhã, dorme mais que o normal, tem vontade de dormir durante o dia, etc. Por outro lado não são raros os comentários como "Estou dopado", "Sinto-me como um zombi", ou outros, também de teor culturalmente pejorativo.

Efeitos extrapiramidais ou parkinsonismo
Os efeitos parkinsonianos manifestam-se na forma de movimentos ou posturas involuntárias: o tremor das mãos, flexões ou fixações dos músculos.
Assim sendo, não é raro que o doente usando antipsicóticos tenha a boca ou os músculos da face numa postura estranha, talvez a boca permaneça aberta ou semi-aberta. Também é possível que a língua se desvie para um dos lados, dificultando a fala ou fazendo com que a saliva se escoe pela boca.

Efeitos anticolinérgicos
Esses efeitos secundários referem-se a uma visão distorcida, xerostomia (secura da boca), retenção urinária e hipotensão arterial.

Dificuldades sexuais
Poucas vezes se encontram citadas como efeitos secundários dessa medicação. Também pode ser provável que os sintomas sexuais se devam a sintomas da depressão que ás vezes acompanha a esquizofrenia.

Acatisia
Consiste numa inquietação constante. O doente é incapaz de sentar-se no mesmo lugar durante muito tempo. Ele levanta-se, muda de lugar várias vezes em poucos minutos ou ajusta-se muitas vezes no sofá.

Benefícios do tratamento


1. Elimina vozes visões e o falar consigo mesmo;
2. Elimina as crenças estranhas e falsas (delírios);
3. Diminui a tensão e a agitação;
4. Ajuda a pensar com clareza e a concentrar-se melhor;
5. Reduz os medos a confusão e a insónia;
6. Ajuda a falar de forma coerente;
7. Ajuda a sentir-se mais feliz, mais expansivo e mais sadio;
8. Ajuda a comportar-se de forma mais apropriada;
9. Os pensamentos hostis, estranhos ou agressivos desaparecem;
10. Diminuem muito as recaídas e a necessidade de internamento hospitalar;



“Eu sem medicamentos, nunca passava da cepa torta…Porque era eu a lutar contra eu!”
(Ana Cristina, doente com esquizofrenia, tratada com antipsicóticos).